Por Viviane Sansperi
Quando tive meu primeiro filho a revolução se instalou na
minha vida. Nunca, nos meus 34 anos, havia vivido algo que tenha me trazido
tantas mudanças: minha sensação era de que o mundo estava ali, exatamente igual,
mas eu estava vivendo em um universo paralelo.
E junto com o nascimento de filhos vêm alguns pacotes:
fraldas, festas infantis, desenhos animados e grupos de mães no WhatsApp.
Nestes grupos, discute-se doenças de filhos, nascimento de
dentes, dicas inúmeras, questões existenciais... enfim! Um mundo paralelo onde
mães que vivem em um universo paralelo como eu me sentia viver, sentem-se menos
sós.
E entre grupos e pacotes, eu recebi mais um pacotinho: antes
do primeiro completar dois anos ele já estaria estaria dividindo o peito com o
irmão. Segundo filho é outra coisa: você já sabe que não é de cristal, já deixa
literalmente “se jogar” na vida! E mesmo no meu caso onde meu segundo filho tem
síndrome de down, isto não foi diferente: fui muito mais leve e livre com ele.
Talvez por ele ter uma independência nata, por eu já ter um pouco mais de
“experiência”, não sei exatamente, mas o fato é que foi MUITO mais fácil para
mim ao contrário do que muitas vezes nos querem fazer acreditar (falo isso por
conta da síndrome de down).
Mas aí veio um outro grupo de mães: o de crianças com
síndrome de down. E embora eu não seja muito ativa mais em nenhum dos grupos,
este eu acompanho e sou grata pelo tanto de aprendizado que eu tenho constantemente.
Alí não tem discussão de parto, não tem nível social, não tem religião
específica. Tem muita informação, indicação de profissionais como em todos os
grupos de mães e FÉ, muita fé e oração quando um filho vai fazer uma operação,
quando é internado com pneumonia... e quando uma criança vira uma estrelinha.
Gostaria de dizer que isso é raro. Mas não é. De tempos em
tempos temos uma notícia de óbito. Embora eu não conheça a maioria das pessoas
pessoalmente, não tem como não se sentir tocada por isso. Nunca disse a
ninguém, mas esta é a parte mais difícil de ter um filho com síndrome de down.
Nós temos por hábito evitar a dor a qualquer custo. Evitamos
o sofrimento e não gostamos de pensar no pior. Não estou dizendo que a gente
deve ter o prazer mórbido de procurar tragédias e violências na tv ou em
qualquer outra mídia; isso nos torna cada vez mais depressivos e pessimistas,
apenas minha opinião pessoal. Mas evitar situações para não sentir dor, é muito
diferente. Evitar conviver com pessoas que por algum motivo estão
sofrendo, apenas pelo egoísmo de
querermos enxergar um “mundo cor de rosa”, nos impede de desenvolver um
sentimento incrível, chamado COMPAIXÃO.
Conviver tão próxima às perdas me faz agradecer diariamente pelos
meus filhos estarem enchendo a casa de bagunça e gritaria.
Hoje agradeci mais uma vez.
Viva intensamente. Ame intensamente HOJE.
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