terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Quando é preciso ROMPER com o porco assado

por Viviane Sansperi
Você provavelmente já passou por alguns rompimentos na sua vida. Talvez algum namorado(a) que l...he fizesse mal, uma amizade tóxica ou até mesmo uma ruptura profissional.
Romper, sempre é um processo difícil! Gera dúvidas, culpa... às vezes requer uma semana, às vezes é um longo processo que se arrasta por anos.
Mas há um rompimento exponencialmente mais difícil que todos os exemplos acima: o rompimento de padrões das pessoas que amamos! Me recordo de um grande amigo carnívoro que se tornou vegetariano e foi passar o Natal com a família: haviam assado um porco inteiro porque ELE AMAVA porco assado. Mas isso era ANTES dele se tornar vegetariano. Ele teve de “romper” naquele Natal. Não com a família que ele tanto amava, mas um rompimento da pessoa que ele era, para a pessoa a qual ele se tornou.
Percebe como é muito mais fácil brigar com a família e nunca mais correr risco de ser “tentado pelo porco assado” do que assumir que a atitude interior ainda não é forte o suficiente para te manter junto, respeitando a escolha de cada um, mas principalmente manter a SUA escolha. É um rompimento forte e que muitas vezes vai lhe deixar uma sensação de solidão.
Sabe aquele colega que não bebe e está sempre na balada junto com os que enchem a lata? Aquela amiga que tem uma religião completamente diferente de você com quem você consegue conversar sobre assuntos profundos e filosóficos? Pois é. Estes já possuem sua convicção bem formada, mas ainda estão no “raso” da questão.
Agora vamos à questão: sabe aquela avozinha que é o amor da sua vida? Que cuidava de você com tanto carinho e fazia aquele bolo ultra doce, cheio de chocolate que só de olhar você engordava 30 kilos? Agora imagine que você está num regime absurdo (por questões de saúde, só para dramatizar mais a questão) e sua amada passa a madrugada toda fazendo um bolo ENORME para você, com a esperança de que seja devorado em um dia?
É este ROMPIMENTO que estou falando.
É romper com padrões familiares que vão lhe fazer sentir um desertor com as pessoas que você mais ama! É aquele de se realizar profissionalmente quando você cresceu acreditando que você não podia seguir a profissão que era também o sonho da sua irmã mais velha e dar certo! É ousar ser feliz quando você tem um avô depressivo. É deixar de carregar as “roupas” tão valiosas, passadas de geração a geração pelos membros da sua família que enchem seu armário da vida mas não cabem em você.
Todas estas reflexões ficaram mais claras quando passei a participar de um grupo de terapia de Constelação Familiar. É assim que funciona: o que não é seu, é devolvido para o “dono” daquela energia. Você não precisa participar de um grupo como este para “devolver a roupa” ou “recusar o porco assado”. Basta se manter firme no propósito e acreditar que por mais que alguém lhe ame, muitas vezes se sentirá rejeitado e lhe forçará a voltar a este padrão que tanto lhe atrapalha. Também não é abandonar a pessoa! Isso só funciona quando você não abandonou o padrão e gera ainda mais dor para você e para o outro. É ótimo receber apoio para um rompimento que lhe trará saúde, alegria e realizações. Nem sempre é possível. Se você tem, agradeça. Se não, respeite e acredite porque o amor é isso... e se te amar de verdade, um dia a pessoa vai lhe perdoar por você ser feliz!
P.S.1: Meu amigo voltou a comer carne no Natal seguinte. Hoje, 21 anos depois está tentando novamente reduzir o consumo de carne.
P.S.2: Por favor avise sua avózinha que você não vai comer o bolo. Não a deixe passar a madrugada inteira na cozinha. Se ela fizer, guarde um pedaço (pequeno)para mim

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