terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Sobre ser mãe de um menino down

por Viviane Sansperi, em 7 de julho de 2015

Prefiro infinitamente os amigos que, ainda que constrangidos me perguntam: "como é ter um filho com síndrome de down?" Aos que sentem pesar, sem ter coragem de perguntar.
E como é ter um filho com síndrome de down?
Eu te devolvo a pergunta:
Como é ter um filho?
E eu mesma respondo:
Meu filho pode ir mal na escola, o seu também.
Meu filho pode ser bem sucedido na vida, o seu também.
Meu filho pode ter algum problema de saúde, o seu também pode.
Assim como você, eu também desejo o melhor para o meu filho.
A diferença?
Está entre eu e você.
Ao contrário de você, eu ACREDITO no meu filho! Acredito que ele pode chegar onde ele bem entender e ACEITO-O como ele é. Acredito na capacidade espiritual deste ser que escolheu reencarnar em um mundo tão complicado como o nosso e HONRO sua coragem em vir rotulado em suas próprias feições.
Eu não tive "crise" por isso.
Não acho "difícil", nem um "carma" cuidar dele, pelo contrário, me sinto privilegiada.
Se você por ventura sentir "peninha", sinta pelos motivos reais: fazem dois anos que não sei o que é dormir mais de 4 horas seguidas, lido com o ciúmes de um irmão que a pouco mais de 6 meses era filho único (e eu posso lhe garantir que esta é uma das partes mais difíceis), não tenho babá, empregada, diarista e grana para pagar escolinha. Sou a maior responsável pela alimentação de meus filhos e preparo tudo em casa. Não sou remunerada e o principal, este sim o motivo real para você sentir PENA, não de mim, mas de todas as mães e consequentemente filhos porque a maternidade é um dos trabalhos mais importantes para a humanidade e com certeza o menos valorizado, é um absurdo que no setor privado haja apenas 4 meses de licença maternidade e 4, QUATRO DIAS de licença paternidade, talvez por isso que é tão terceirizado o cuidado com os filhos, coisa que com uma criança down é infinitamente mais complicado de se fazer. Taí, talvez esta seja a maior dificuldade.

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