terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Para Minha Mãe

por Viviane Sansperi

Oi mãe, tudo bem? Eu sei que nos falamos quase todos os dias. E embora conversemos muito e você seja a pessoa que mais saiba da minha vida e eu s...eja a que mais saiba da sua, acho que tem coisas que eu nunca lhe disse.
Somos mães bastante diferentes: eu tive dois partos naturais, um deles em casa, você teve duas cesáreas. Eu amamentei (e amamento) dois filhos, você não teve esta oportunidade. Eu durmo com meus filhos, diferente de você e do que você acredita ser melhor e mais seguro. Você teve estrias, eu não.
Estrias? É disso mesmo que eu estou falando? Você se preocupou tanto que eu não tivesse, lembra? Vivia perguntando se eu passava creme e óleo todas as noites: “tem que passar, Viviane, não pode se descuidar” eu muitas vezes esquecia, e achava sua preocupação meio exagerada. Pois bem, eu sempre VÍ que você teve estrias, mas nunca SOUBE.
E hoje sei. Porque estrias, são muito mais que riscos na sua barriga. Você, que sempre gostou de praia, ía de biquíni, com todas as suas “feridas” a mostra, andando corajosamente pela beira do mar. Eu nunca percebi a presença delas alí. Percebia você mergulhando, sentindo o vento. Para mim você sempre foi linda! (e ainda é) Em nenhum momento eu ouvi você dizendo ou insinuando que a culpa destas estrias era minha ou de meu irmão. Você teve seu primeiro filho aos 24 anos, eu, aos 34. Imagino aos 24 anos ficar marcada por toda uma vida. Mas agora eu não falo mais de cicatrizes e estrias, mas deste abandono que a maioria das mulheres que se tornam mães, ainda passam. Eu tive infinitamente mais sorte. Meu marido, o pai dos meus filhos, me acompanhou nos dois partos. Não, ele não esperou numa sala ao lado: ele realmente esteve segurando minha mão durante todo o período necessário. Minha mãe, esteve comigo pelo menos 20 dias depois do nascimento dos meus filhos, foi “ela” que me nutriu para que eu pudesse amamentar meus filhos, me trazia água incessantemente, fazia sucos, me alimentava... ela, indiretamente, “amamentou” meus filhos. Eu fui respeitada, amparada, nutrida.
Quando filhos, criticamos muito nossos pais. Eu também fiz isso. Mas não posso me esquecer de tudo que você me trouxe de lindo e especial nesta existência: das noites que você esteve do meu lado quando eu tinha medo. De você andar na chuva comigo, para que eu perdesse o medo. De toda sua feminilidade, seu bom gosto e todas as vezes que você me maquiava no carnaval. Por você estar na plateia de todas as comemorações especiais na escola, balé, jazz, teatro, por ter insistido e pago minha viagem de formatura do colegial (que na época, era um pouco fora do nosso orçamento), por todas as comidas especiais que você me preparou... por estar perto sempre, mesmo discordando das minhas atitudes!
São tantas coisas!
Sou infinitamente mais privilegiada que você: eu tive uma mãe muito presente! Com todas as cicatrizes que minha mãe carregava na alma, foi sem dúvida, a MELHOR MÃE DO MUNDO! A mãe que eu tornaria a escolher, se me fosse permitido.
Mãe, obrigada. Eu sei o quanto foi difícil para você e por isso mesmo, meu respeito pela grande mãe e mulher que você é!
Honro cada cicatriz do seu corpo e da sua alma!
Meu coração ainda dispara quando eu te vejo!
Você ainda é a mulher mais linda que eu conheço!
EU TE AMO COM TODAS AS MINHAS FORÇAS!
Obrigada por você existir!
Vivizinha
P.S.: vou cuidar mais da minha aparência, como você sempre me cobra, em honra ao seu esforço e cuidado com ela na minha infância. Isso não é tão importante para mim, sempre fui relaxada, mas percebi o quanto fiquei feliz ao vê-la arrumada nas festas de final de ano. Desta forma, acredito que minha rebeldia adolescente pode dar uma amadurecida e eu posso finalmente pentear o cabelo para sair de casa, rs

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