Por Viviane Sansperi
Um dia desses, meu
filho mais velho me perguntou sobre o que haveria de almoço. Respondi: arroz,
feijão carne e cenoura. Como ele não prestou muita atenção ao que eu havia
dito, perguntou novamente. Novamente eu respondi. Isso já se repetiu algumas
vezes a ponto de me questionar se ele tinha algum problema auditivo, descartado
no dia em que eu disse muito baixinho ao pai dele que eu havia comprado
CHOCOLATE para comermos mais tarde. CHOCOLATE??? EU QUERO!!! Meu filho tem surdez
seletiva.
Voltando ao almoço,
pela terceira vez, já aos berros, ele novamente perguntou: O QUE TEM PARA O
ALMOÇO??? PORQUE VOCÊ NÃO ME RESPONDE??? E eu como mãe super paciente, (que não
sou) respondi: NÃO INTERESSA!!!! NÃO TEM NADA PARA ALMOÇO!!! (ok, não sou o
melhor exemplo de mãe, mas era o melhor que consegui no momento).
O caos se instalou!!! Ele continuou perguntando
aos berros e eu tentando explicar que se ele parasse de gritar e OUVISSE o que
eu estava falando, ele saberia! Aí eu parei. Ouvi uma voz dentro de mim
dizendo: “entendeu agora, Viviane? Era isso que eu queria que você soubesse!”
Comecei a me
perguntar quantas, inúmeras vezes, pedi coisas que não consegui sequer perceber
que já estavam ali nas minhas mãos, por uma série de fatos que me cegavam.
Quantas vezes estive
perdida com coisas supérfluas, que me distraíam sobre meus reais objetivos?
E quando estamos tão
obcecados com o fato de NÃO TERMOS algo que não conseguimos VER, que aquilo que
reclamamos tanto a falta, esteve ali por anos, ao alcance dos nossos dedos?
Somos tão teimosos
que gritamos a falta de algo que já nos pertence! Nem sempre é o que “desejamos”
que desejamos verdadeiramente!
Já se perguntou se
por um mecanismo de autoflagelo ou, como diria uma grande psicóloga que
conheço, por uma crença no “não merecimento”, você já se boicotou e chutou para
longe oportunidades incríveis que lhe ocorreram? Oportunidades estas que você perdeu,
dando desculpas esfarrapadas com base em valores que nem são os seus?
E não adianta ficar
preso ao passado chorando as oportunidades perdidas. Isto só contribui para
perdermos mais ainda a capacidade de enxergarmos a infinidade de realizações que
a vida nos coloca à disposição todos os dias.
Façamos um
exercício juntos: feche os olhos e silencie.
Observemos internamente
o que nossos desejos e pedidos, dizem sobre nós.
Abra os olhos da
alma e sinta o quão presente na sua vida está aquilo que você intimamente sonha!
Agradeça e simplesmente...
VIVA!!!
Achei muito bom e em certo momento até muito engraçado principalmente sobre a surdez seletiva mas é isso mesmo.
ResponderExcluirÉ comum querermos algo que parece estar além do infinito quando na realidade já está em nossas mãos mas esquecemos que nossas mãos estão grudadas em nosso corpo portanto já a possuimos...
Parabéns lindo texto.